Segundo a médica e psicanalista, Soraya Hissa de Carvalho, tudo começa com pequenas apostas, na maioria dos casos, entre homens. Ela explica que algumas pessoas não controlam o comportamento diante do jogo e, conseqüentemente, causa o descontrole em todos os sentidos da sua vida. "Não impondo limites, o jogador pode comprometer a vida social, a renda, o trabalho, os compromissos financeiros e, até mesmo, a ruína de seus familiares?", diz a psicanalista.
O ato compulsivo de jogar tem comportamentos e reações idênticas ao abuso do álcool e drogas e do hábito intempestivo do vômito (bulimia e anorexia), e juntos apresentam resultados negativos para a vida, com conseqüências físicas, psicológicas e sociais graves.
Conforme explica a médica, o jogador compulsivo alimenta, de forma doentia, a idéia de sucesso imediato, e considera que perder o jogo será apenas uma circunstância eventual. "Tornando uma grande fonte de prazer em realizá-lo com freqüência, o jogador acredita que a sorte pode chegar a qualquer momento, gastando tudo no jogo, perdendo a noção do contexto real da vida", explica Soraya.
Assim como acontece com outros hábitos compulsivos, o tratamento para o transtorno patológico de jogo tem poucas referências na medicina. De acordo com médica, já existem no Brasil algumas clínicas de assistência a essas vítimas, chamadas Grupos de Jogadores Anônimos. Ela destaca que o transtorno pode ser tratado com acompanhamento de psicoterapias, psicodinâmicas, terapia familiar, cognitiva e comportamental, além de uso de antidepressivos.
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